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A criação do mundo
No princípio, o Deus
único criou o Sol e a Lua, que tinha a forma de cântaros, a sua primeira invenção.
O Sol é branco e quente, rodeado por oito anéis de cobre vermelho, e a Lua, de
forma idêntica tem anéis de cobre branco. As estrelas nasceram de pedras que
Deus atirou para o espaço. Para criar a Terra, Deus espremeu um pedaço de barro
e, tal como fizera com as estrelas, arremessou-o para o espaço, onde ele se
achatou, com o Norte no topo e o restante espalhado em diferentes regiões, à semelhança
do corpo humano quando está deitado de cara para cima.
Mito africano de
origem Dogon reveladas por um velho cego, Ogotemmêli, escolhido pela tribo para
contar aos seus amigos europeus os segredos da mitologia dos Dogons, relatado
por Parrinder na África.
O celeiro do mundo
Quando Deus criou a
Terra, serviu-se de um punhado de argila que amassou muito bem antes de a lançar
para o espaço, onde se espalhou de norte a sul e de leste a oeste. Deus
utilizou a mesma técnica para criar as estrelas, servindo-se desta vez, de
bolinhas mais pequenas, que começaram a cintilar quando as projetou em todas as
direções. Depois, aperfeiçoou a sua arte para formar o Sol e a Lua, enormes
bolas de argila envolvidas numa espiral de cobre vermelho ou branco
incandescente.
Terra era deserta e árida:
Deus enviou-lhe a chuva para a tornar fértil. Em seguida, uniu-se ao novo
planeta para gerar os seres vivos que o povoariam. O primeiro filho foi um
chacal feroz e os seguintes foram gêmeos meio homem, meio serpentes. Decepcionado,
Deus retomou a técnica da olaria e moldou quatro homens e quatro mulheres de
argila, os quais foram enviados para a Terra.
A missão dos oito
primeiros seres humanos era simples: criar uma descendência numerosa e ensinar
técnicas aos homens. A vida terrestre destes antepassados devia ter sido
eterna, mas, passado algum tempo, Deus chamou-os para junto dele. Regressaram,
pois, ao Céu, onde Deus os proibiu de se encontrarem, pois receava vê-los a
discutir. A fim de poder matar a fome, deu a cada um deles sementes de oito
plantas comestíveis, como o milho, o arroz e o feijão; a última planta, a digitária,
era tão pequena e tão pouco prática de preparar que o primeiro dos oito
antepassados jurou nunca comer.
Ora, acontece que
todas as sementes se esgotaram, exceto uma: a minúscula digitária. O primeiro
antepassado decidiu-se, então, a consumir esta última semente. Tendo rompido o
juramento, tornou-se indigno de permanecer no Céu. Preparou, pois, o regresso à
Terra.
O primeiro
antepassado recordou-se então do estado miserável em que viviam os homens que
abandonara à superfície da Terra: como formigas, habitavam galerias escavadas
no chão; não possuíam nenhum utensílio, só conheciam o fogo e, além disso,
teriam tido muita dificuldade em trabalhar, pois seus membros, como os dos
antepassados, eram desprovidos de articulações e moles como serpentes. Antes de
abandonar o Céu, reuniu, portanto, tudo o que considerou útil para os homens. Em
primeiro lugar, um macho e uma fêmea de espécies desconhecidas na Terra: galinhas,
galos, carneiros, cabras, gatos, cães e até mesmo ratos e ratazanas; entre os
animais selvagens, escolheu os antílopes, as hienas, os gatos bravos, os
macacos, os elefantes; pensou também nas aves, nos insetos e nos peixes. Ocupou-se
igualmente do mundo vegetal, começando pelo baobá, e, naturalmente, não se
esqueceu das oito sementes comestíveis que tão bem conhecia. Por fim, pretendia
levar aos homens um fole, um martelo de madeira e uma bigorna, para os ensinar
a fabricar instrumentos. Tudo isso era pesado e volumoso, mas ele teve uma idéia.
Com "terra de céu",
construiu uma pirâmide truncada, cuja base era circular e o topo quadrado. No
interior, ordenou oito compartimentos, nos quais guardou as sementes comestíveis.
Nas paredes do edifício, escavou quatro escadas, nas quais dispôs os animais e
as plantas. Em seguida, espetou no cimo da pirâmide uma flecha, à volta da qual
enrolou um fio. Prendeu a outra extremidade do fio a uma segunda flecha, que
enviou para a abóboda celeste. Faltava-lhe fazer o mais perigoso: subtrair aos
ferreiros do céu um pedaço de sol, a fim de levar o fogo aos homens. Introduziu-se
na oficina dos ferreiros e, utilizando uma haste encurvada, apoderou-se de
algumas brasas e de um fragmento de ferro incandescente, que ocultou no fole. Por
fim, lançou seu curioso edifício para o
vazio, ao longo de um arco-íris: enquanto o fio se desenrolava como uma
serpentina, o antepassado mantinha-se de pé, pronto para se defender dos
perigos do espaço.
O ataque veio do céu.
Furiosos, os dois ferreiros atiraram archotes acesos sobre o ladrão de fogo,
obrigando-o a proteger-se com a pele de carneiro que envolvia o fole. Contudo,
o edifício descia cada vez mais depressa, deixando no seu rastro um feixe de
estrelas...
A aterragem foi
violenta: o antepassado perdeu o equilíbrio, a bigorna e o martelo quebraram-lhe
os membros frágeis, criando as articulações de que tanto carecia. Observou-se
imediatamente a mesma transformação no corpo de todos os homens. O antepassado
delimitou então, o primeiro campo, construiu a primeira aldeia e a primeira
forja. Em seguida, ensinou os homens a cavar com uma enxada. Os outros sete
antepassados juntaram-se-lhe, possuindo cada um deles o segredo de várias técnicas,
como o fabrico de sapatos ou de instrumentos musicais.
Mito africano de origem
Dogon citado por Ragache em A Criação do Mundo
Os Dogons são um povo
que vive em uma remota região no interior da África oriental - são cerca de 200
mil e a sua maioria vive em aldeias penduradas nas escarpas de Bandiagara, ao
leste do Rio Níger.
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