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A narrativa africana e o sentido comunitário
Escrito por Francisco Noa   
02-Aug-2010

    O sentido comunitário na narrativa africana: o caso de Moçambique

    A literatura, em geral, e a ficção, em particular devem ser sempre vistas como apreensões, ou tentativas de apreensão, de uma totalidade sem contornos facilmente delimitáveis e que, na falta de melhor qualificativo, chamamos realidade. O que acaba, de certo modo, por concorrer para que o texto incorpore, ainda que potencial e simbolicamente, aspectos essenciais dessa mesma realidade. Daí que, metafórica ou metonimicamente, o texto literário vai sempre emergir como representação ou recriação de dimensões determinadas da totalidade. Se quisermos, cada obra de ficção institui-se como utopia do todo, isto é, como fragmento de linguagens que encenam a própria totalidade.

    Traduzindo de forma aguda a percepção desta dicotomia, o poeta e ensaísta venezuelano Rafael Fauquié (1993: 2), defende que o fragmentário seria o reflexo de algo que, de certo modo, as maioria dos escritores percebem, hoje, como a maior das aspirações: nomear a realidade. A realidade não pode, afinal, ser nomeada senão de forma fragmentada.
    Na sua realização como representação do mundo, o que a linguagem, em geral, e a literatura, em particular, invariavelmente acaba por fazer é questionar a própria ideia de totalidade. A vida é, per si, uma totalidade ou uma difusa constelação de totalidades? Se aceitarmos a segunda possibilidade, a ficção afirmar-se-ia, quer do ponto de vista dos seus dispositivos constitutivos quer do sentido que projecta, enquanto uma expressão singular de uma ideia de totalidade.

 

    Image

         foto de Otávio Raposo

 

Atualizado em ( 02-Aug-2010 )
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